Paranatinga, 27 de Junho de 2022

Geral

Motoristas enfrentam 4h de fila e citam arrependimento: Revolta

Publicado 19/12/2021 11:12:43


Com o preço da gasolina ultrapassando R$ 6,50 e o etanol a R$ 4,74, os motoristas de Cuiabá buscaram, como alternativa, adaptar seus carros para receber Gás Natural Veicular (GNV). Porém, devido à falta de postos, hoje os trabalhadores precisam enfrentar filas quilométricas para conseguir abastecer na Capital.

 

Não é preciso horário específico, seja nas primeiras horas da manhã ou após o pôr do sol, quem passa em frente aos postos consegue ver os carros enfileirados enquanto os motoristas esperam sua vez de encher os tanques. A espera na Capital tem ocorrido até de madrugada.

 

A preparação na hora de abastecer é quase um ritual para quem já sabe o que vai enfrentar. A demora é tanta que muitos dos condutores deixam os carros e se reúnem na calçada para conversar e tentar se distrair enquanto as horas não passam.

 

 

Hoje sou motorista de aplicativo e dependo do que faço para pagar minhas contas, mas tem muitos que acham que estando 3 horas na fila está ganhando

Outros de entretém dentro dos próprios carros, ouvindo música ou mexendo no celular. Até mesmo os comerciantes já perceberam que a frente dos postos é o novo local para encontrar clientes. Desta forma, se dividem para montar as barraquinhas de salgado para os fregueses que aguardam.

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Apesar de ter virado rotina, a situação causa revolta entre os motoristas que não aguentam mais passar horas para conseguir ser atendidos.

 

MidiaNews foi até o Posto América, no bairro Jardim das Américas, na Capital, um dos três que abastece GNV, e conversou com algumas pessoas que aguardavam na fila.

 

Solange Menacho havia acabado de encher sua “butija” por volta das 10h. Ela, que é motorista de aplicativo e presidente do sindicato dos motoristas, conta que foi a primeira a adaptar seu carro em Cuiabá para receber o combustível à gás.

 

Saudosa, ela lembra que antes havia apenas um posto que disponibilizava o GNV e, como não havia muitos adeptos, não tinha necessidade de enfrentar filas. Hoje, a presidente confessa que já chegou a passar quatro horas esperando sua vez de abastecer.

 

Responsável por representar a luta da classe, Solange afirma que espera há muito tempo uma resposta dos empresários a respeito do descaso que ocorre na fila dos postos.

 

“O nosso transtorno maior é esperar uma resposta imediata do MTGás, do GNC Brasil e de empresários. Quando estarão prontas as outras bombas [de gás]?”, questiona.

 

Em um dos protestos mais recentes dos motoristas, no dia 10 de novembro, os trabalhadores se juntaram para fechar a entrada da empresa GNC Brasil enquanto se manifestavam contra o aumento da tarifa do gás natural em Cuiabá.

 

A presidente afirma que, apesar da manifestação, nada foi resolvido para ajudar os trabalhadores. Para ela, o descaso só deve mudar se houver uma cooperação conjunta. Com cada vez mais motoristas aderindo ao GNV, é certo para os trabalhadores que a situação deve piorar até ficar insustentável.

 

 

“O motorista quando vai colocar o GNV esta vindo tão de revolta com a gasolina, de não ver lucro, que eles falam que vão pegar passageiro com 15 minutos de distância. Depois que coloca o gás e vem para essa fila... Arrepende”, afirma.

 

“Situação ingrata”

 

Rafael Freitas, que trabalha como motorista de aplicativo há 5 anos, relata que cada dia é mais difícil enfrentar a fila para abastecer. Isso porque cada hora que passa estacionado é um passageiro que perde. O prejuízo, no final, chega a somar quase R$ 200 por dia.

 

Apesar disso, o trabalhador não vê como evitar o combustível a gás e explica que no momento que o país está passando é inviável conseguir lucrar usando a gasolina ou o álcool.

 

“Antes, com 12 horas trabalhadas, eu fazia R$ 450 em média. Víamos um resultado, porque o combustível estava mais barato, mas hoje o gás está ai e  mesmo assim não estamos conseguindo fazer [lucro]”, explica.

 

“Hoje, a população reclama que ‘o motorista está cancelando’, mas não tem como não cancelar. É preciso entender que antes o combustível era barato, nós estamos cinco anos sem um aumento e tem gente que tem coragem de pedir o aplicativo para andar duas quadras”, acrescenta Solange.

 

Multas e falta de respostas

 

Cristiano da Silva, que é outro motorista de aplicativo, conta que em Várzea Grande a situação dos postos é ainda pior. Com apenas um posto com abastecimento a gás, os motoristas precisam se enfileirar em locais proibidos e são alvos da Guarda Municipal.

 

Depois de verem colegas dormindo e almoçando em filas de postos, o que os motoristas mais querem é uma resposta dos empresários de Mato Grosso.

 

 

O nosso transtorno maior é esperar uma resposta imediata do MTGás, do GNC Brasil e de empresários

Segundo Solange, o último prazo que o sindicato recebeu pedia para aguardassem até janeiro a chegada de novas bombas e a abertura de novos postos.

 

Tanto ela quanto Cristiano e Rafael acreditam que é preciso também a união da classe para pressionar os poderes, assim como foi feito em São Paulo, onde hoje os motoristas vivem uma situação muito melhor do que em Cuiabá.

 

“Hoje, sou motorista de aplicativo e dependo do que faço para pagar minhas contas, mas tem muitos que acham que estando 3 horas na fila está ganhando. Mas ele ganharia muito mais se ficasse 30 minutos”, explica Solange.

 

“Claro que a gente tem que sustentar a família, mas se a gente não amasse já tinha largado. Porque hoje compensa ganhar R$ 1,5 mil trabalhando em uma empresa, do que ser motorista”, completa.

 

Fonte: MIDIA NEWS

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