Paranatinga, 27 de Junho de 2022

Geral

Morte em MT acende alerta para risco de usar celular na tomada

Publicado 06/02/2022 14:18:32


A trágica morte de Dalvirene Ribeiro da Silva, de 38 anos, vítima de uma descarga elétrica quando falava ao celular, reacendeu o debate sobre os riscos de usar o aparelho conectado à tomada, principalmente em meio a uma tempestade.

 

Moradora do Assentamento Dom Osório, em Campo Verde, Dalvirene morreu no dia 24 de janeiro, após a queda de um raio.

 

No momento da descarga, Dalvirene estava com o celular nas mãos, enquanto ele carregava na tomada. Um vizinho contou à imprensa local que após levar o choque, Dalvirene pediu às filhas que não se aproximassem dela e em seguida caiu no chão.

 

De acordo com o professor Danilo Ferreira de Souza, da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (Faet) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o risco de se usar equipamentos ligados à tomada não algo é novo e um choque elétrico pode ter várias causas.

 

Dentro das casas e edificações, no que se refere a seguranças contra raios, são considerados locais seguros

 

Dentre elas estão os transitórios de origem atmosférica, conhecidos como raios. O acidente sofrido por Dalvirene, segundo o especialista, apesar de ter sido fatal, é considerado um caso extremamente raro.

 

"As casas e edificações, no que se refere a seguranças contra raios, são consideradas locais seguros”, explica.

 

Segundo Danilo, houve um aumento de casos similares ao de Dalvirene por dois fenômenos: o aumento na quantidade de descargas atmosféricas por causa do aquecimento global, e o aumento do uso de smartphones - equipamentos dependentes de bateria que têm um acionamento com um ciclo de vida de ligação muito baixo.

 

Na prática, isso significa que, como as baterias desses aparelhos costumam durar pouco tempo, muitos optam por fazer o uso com eles na tomada. “Aumentou devido a essas situações, mas continua sendo raro”, alertou.

 

Apesar de raro, o especialista recomenda evitar o uso dos aparelhos celulares enquanto eles estiverem na tomada, prioritariamente no período de chuvas, em que há nuvens carregadas.

 

A Baixada Cuiabana apresenta um cenário diferenciado em relação a outras cidades do mundo. A Capital mato-grossense tem por ano entre 11 e 12 descargas atmosféricas por quilômetro quadrado. Na Europa, é comum que esse número varie entre 2 e 4, segundo o especialista.

 

“Quando você vê a curva de acidentes com descarga atmosférica, ela coincide plenamente com a curva do tempo das águas [período de chuvas]. Em Mato Grosso, os casos aumentam consideravelmente no final e início do ano – período em que estamos", diz.

 

 

Desde o início de janeiro, foram registradas, somente em MT, sete mortes em decorrência de descargas elétricas.

 

Descargas atmosféricas na rede e os seus perigos

 

Apesar dos casos em que uma vítima morre em decorrência de um choque elétrico, originado por uma descarga atmosférica, serem raros, a queima de aparelhos ligados às tomadas não é.

 

De acordo com Danilo, uma descarga atmosférica pode “viajar” por dezenas de quilômetros na rede e provocar danos em aparelhos ligados à tomada. Isso ocorre devido à sobretensão provocada nessa rede, que atinge esses aparelhos.

 

Essa descarga atmosférica é um fenômeno aleatório que opera em microssegundos e tem correntes que podem ir de 2 até 400 mil quiloamperes – que correspondente a mil amperes (unidade que mede a energia que passa por um aparelho elétrico).

 

Em um cenário como esse, um celular que tem tensão de 5 volts - valor considerado  seguro - passa a representar um risco. “No caso da descarga atmosférica, que aí é uma coincidência muito elevada, não são mais 5 volts, são milhares de volts que chegam naquele equipamento naquele instante”, explicou.

 

Essas correntes, provenientes das descargas atmosféricas, geralmente são amortecidas na rede. Isso significa que elas se “espalham” naquela rede e nos equipamentos que encontram pela frente, chegando com menor potência em um determinado ponto ou aparelho.

 

Por esse motivo nas grandes cidades a probabilidade de choques elétricos ao manusear aparelhos conectados à tomada durante uma tempestade é ainda menor, uma vez que o amortecimento é maior. Quanto mais aparelhos conectados, maior é o amortecimento.

 

A situação muda de figura quando se em propriedades rurais. “Normalmente elas são cercadas por elementos naturais altos, como as árvores, que operam como captores naturais de descargas e não têm o amortecimento. São poucos equipamentos, edificações e instalações em volta. A descarga atmosférica tem poucos caminhos”, argumentou Danilo.

 

Uma tragédia anunciada

 

No caso de Dalvirene, que morava em uma propriedade rural, outro possível agravante foi o sistema de aterramento do assentamento em que vivia. Na comunidade, moradores reclamam há anos da fiação exposta nas vias e da oscilação de energia, que interfere, inclusive, no funcionamento de eletrodomésticos.

 

 

 

 

Quando as equipes de socorro chegaram no local já era tarde, e Dalvirene já estava sem vida. Os dedos polegar e indicador estavam queimados e o equipamento intacto, como se a sobretensão não os tivesse atingido.

 

Como prevenir?

 

Um elemento importante para a proteção de equipamentos eletrônicos dentro de casa é o DPS (Dispositivo de Proteção contra Surtos).

 

O dispositivo é obrigatório nas instalações elétricas pela NBR 5410 desde 2004. No entanto, a sua utilização não é uma realidade para 88% dos imóveis brasileiros, segundo levantamento feito pela Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade).

 

“Esse dispositivo reduz a queda de equipamentos em casos de tempestade. Então, vem a onda de sobretensão e ele a desvia para o sistema de aterramento”, explica o professor.  

 

O dispositivo deve ser encontrado em três estágios, segundo o especialista: “se for um edifício grande, na entrada”, “no quadro de distribuição” e por último “ponto de tomadas”, para os aparelhos mais sensíveis.

 

Outro dado relevante do levantamento da Abracopel é que 21% dos entrevistados disseram ter sofrido com queima de equipamentos provocado por queda de raios e 19% deles afirmaram já terem tomado choques na residência. Desse montante apenas 1% precisou ser hospitalizado.

 

Fonte: Mídia News

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