Paranatinga, 15 de Agosto de 2022

Cidades

Servidor público que perdeu mãe, pai e avó para Covid em 15 dias em MT buscou apoio para lidar com o luto

Publicado 31/12/2021 08:31:47


Milhares de famílias perderam familiares, amigos e colegas durante a pandemia da Covid-19 e, consequentemente, tiveram que lidar com o luto. O servidor público Rafael Viltaliano Ferreiro Coelho perdeu a mãe, o pai e a avó para a doença, no intervalo de apenas 15 dias e recorreu a um especialista para receber apoio psicológico.

 

“Procurei atendimento médico, uma terapeuta para me ajudar nesse momento, para tentar voltar aos trilhos e ter uma vida plena do jeito que meus pais queriam. Me vi obrigado a fazer esse compromisso. Coloquei como prioridade e hoje estou em tratamento para voltar à vida", contou.

 

(Na próxima semana o Bom Dia MT e o Bom Dia MS exibem a série "Um outro olhar: saúde mental na pandemia", que traz reportagens sobre como a pandemia da Covid-19 mudou a vida das pessoas e impôs uma nova realidade, novos hábitos, mudou as relações, trouxe medo e preocupação)

 

 

A mãe Eliana Vitaliano, de 57 anos, morreu no dia 23 de março. O pai Roosivelt Coelho, de 61 anos, morreu no dia 29 do mesmo mês, e a avó Nelzira Carvalho, de 80 anos, faleceu no dia 2 de abril.

 

 

Rafael conta que a primeira pessoa a se infectar foi a avó. Os sintomas do coronavírus começaram a aparecer e ela foi isolada da família. Dois dias depois, a mãe dele também começou a ter sintomas da doença e passou a ficar em um quarto separado do pai de Rafael.

 

Dois dias depois, o pai dele também apresentou sintomas e, para seguir os protocolos, Rafael dividiu pratos, talheres e copos de forma individual. O servidor disse que levava água, comida e medicação para a família a todo momento.

Durante os primeiros sete dias de infecção, a família tomou vitaminas e chás naturais para ajudar o corpo a responder contra o vírus. No entanto, a mãe de Rafael começou a piorar e foi encaminhada para um hospital. Segundo ele, naquele momento, o pulmão dela já estava comprometido e o médico decidiu interná-la.

 

A avó do servidor também teve piora e foi internada. Dois dias depois, o pai também precisou ficar em observação no hospital.

 

“Cada dia é uma notícia ruim e são poucas as menções de melhora, mas você se apega nessas melhoras, porque acredita que eles vão melhorar. Mas eles foram piorando e no momento em que os exames saíram, sabíamos que estava ficando cada vez mais sério”, disse.

 

Família foi infectada no segundo pico da pandemia, quando as UTIs estavam lotadas 

 

À espera de UTI

 

Rafael disse que a família se infectou em março deste ano durante o segundo pico da pandemia, em Mato Grosso. Já não havia mais vagas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e eles foram três das dezenas de pacientes que esperavam por um leito.

 

A avó e a mãe dele chegaram a esperar três dias por uma vaga e quando conseguiram, mesmo após os cuidados e medicações, elas não resistiram e morreram.

 

“Vimos a dificuldade na respiração, o cansaço de se esforçar. Ninguém se entrega, ninguém quer morrer e eles fizeram muito esforço para viver. O esforço de respirar cansava, o músculo doía e você acompanhando esse processo de piora é muito dolorido, muito sofrido. A respiração começa a falhar, os aparelhos começam a apitar, as equipes entrando, agindo e você não pode fazer nada, só olhar”, relembrou.

 

Para Rafael, a primeira derrota para a Covid-19 é o psicológico afetado. Quando estava cuidando dos pais e da avó em casa, ele disse chorava muitas vezes, mesmo sabendo que a família ainda estava com sintomas leves.

 

“Muitas vezes me julguei forte e agora passo por crises de pânico. Sinto falta de ar mesmo respirando o oxigênio. Parece que você não consegue, o coração acelera. É uma sensação de terror ver uma pessoa que você ama sofrendo e lutando em cima de uma maca de hospital”, pontuou.

 

Para conseguir lidar com o luto, Rafael procurou a ajuda de um psicólogo e tem conseguido amenizar o sofrimento e as consequências da perda. Segundo ele, aos poucos, tem voltado à rotina que tinha antes.

Fonte: G1

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