Paranatinga, 27 de Novembro de 2021

Cidades

Mãe doa rim para filha que teve órgão afetado por doença autoimune

Publicado 27/06/2021 17:27:28


"Foi como dar à luz pela segunda vez", é a forma que a empresária cuiabana Lorenna Bezerra, de 41 anos, encontra para colocar em palavras o sentimento de doar o rim para a filha, que, aos 12 anos, já tinha apenas 30% da função renal. 

 

A sintonia entre a mãe e Cauanna Bezerra, de 22 anos, não é difícil de ser percebida. Elas se definem como amigas até na "hora de cozinhar". 

 

Quando souberam da necessidade de um transplante de rim, Lorenna e a filha não duvidaram sequer por um segundo que o procedimento seria realizado entre elas, mesmo antes do exame atestar a compatilidade do órgão.

 

E assim aconteceu. Em 8 de junho, mãe e filha passaram pela cirurgia no Hospital do Rim, em São Paulo (SP). 

 

 

Lorenna conta ao MidiaNews que via o sofrimento da filha desde pequena e, como toda mãe, desejava poder, de alguma forma, fazer com que a filha sentisse menos dor. 

 

 

Ela não podia desidratar de jeito nenhum, o que para pessoas saudáveis é tranquilo, para ela é quase que fatal, porque é mais um pouco da função renal que perde

"É um sentimento de gratidão a Deus por poder proporcionar isso à ela. Já acompanhei tantos dias de internação e recuperação. Quando um filho está doente, a mãe sofre muito, quer trocar de lugar e pensa no que fazer para que o filho não sinta dor. Foi por Deus que isso [o transplante] aconteceu. Agora ela vai ter uma vida plena com esse rim", celebrou.

 

Perda da função renal

 

Com sete anos, Cauanna teve os primeiros sintomas de lúpus. Mas a doença autoimune ficou "adormecida" e foi apenas aos 12 que um quadro de nefrite lúpica - inflamção e lesões nos pequenos vasos responsáveis por filtrar as toxinas do organismo - contribuiu para a função renal do rim de Cauanna começar a ser comprometida.   

 

Lorenna explica que o problema surgiu de repente e pode ter sido provocado por uma gripe ou infecção intestinal. 

 

Na ocasião, Cauanna chegou a ter um pico de pressão alta e precisou ir a um hospital. 

 

"Sentia muita dor nas costas,. Um dia fiquei muito inchada e vermelha. Achamos que estava tendo reação alérgica a um remédio para tosse, mas o inchaço, na verdade, era meu corpo retendo líquido e a dor nas costas, por conta de água no pulmão", lembra a jovem. 

 

Durante três meses, ela precisou passar por hemodiálise, além do período de internação para tratamento. Cauanna ainda precisou passar por quimioterapia para aplicação do remédio contra a lúpus. 

 

Com isso, a doença autoimune acabou "adormecendo". No entanto, o rim não tem capacidade de regeneração e os problemas renais da jovem persistiram. 

 

"Ao longo da vida todo ser humano saudável vai perder função renal, mas é tão pouco que chega a ser imperceptível. Em uma pessoa que já tem questão renal isso é mais visível", conta Lorenna. 

Reprodução

 

Transplante foi realizado em 8 de junho, no Hospital do Rim (SP)

 

Por conta da inflamação renal, Cauanna precisou viver com muitas restrições até o transplante. Além do cuidado redobrado com a alimentação, já que uma simples diarréia poderia comprometer ainda mais o rim. 

 

"Ela não podia desidratar de jeito nenhum. O que para pessoas saudáveis é tranquilo, para ela é quase que fatal, porque é mais um pouco da função renal que perde. O tiro de misericórdia foi em abril, quando ela teve uma infecção intestinal e ficou muito desidratada", lembra a mãe. 

 

O transplante 

 

Por conta da infecção intestinal, os médicos deram um "ultimato" para o rim de Cauanna e orientaram que o transplante fosse realizado. No entanto, por conta da pandemia da Covid-19, o Hospital do Rim estava com os procedimentos suspensos. 

 

Caso não conseguisse fazer o transplante, a jovem precisaria passar por hemodiálise até que a cirurgia pudesse ser realizadas. Mas logo o funcionamento da unidade de saúde foi normalizada.

 

Para a jovem, o ato da mãe foi emocionante e impossível de ser colocado em palavras. O amor delas também ficou evidente horas antes do transplante, quando apenas a mãe conseguiu acalmá-la. 

 

"Quando a ficha caiu de verdade [sobre o transplante], comecei a ter crise de ansiedade, coração acelerado e falta de ar. Se a pressão subisse, não poderia fazer a cirurgia. Eles dão remédio para acalmar, só que é muito fraco e não adiantou. Minha mãe pegou minha mão, começou a falar comigo, fez oração, cantou uma música e eu dormi", lembra a jovem. 

 

Apesar de ressaltar que viveu uma "vida plena", ela precisava lidar com o cansaço provocado pela anemia - consequência do mau funcionamento do rim -, e com a incerteza de não saber como estaria sua saúde no dia seguinte. 

 

"Não conseguia traçar planos a longo prazo, porque a qualquer momento poderia precisar da hemodiálise ou do transplante. Fui morar em João Pessoa, na Paraíba, para estudar, mas sabia que a qualquer momento poderia ter que parar tudo", explica Cauanna.  

 

Após o transplante, elas já comemoram a boa recuperação de ambas. Os exames mostram que o funcionamento do rim está normal e, para alegria da jovem, ela foi liberada para se alimentar e viver de forma mais livre. 

 

 

Entre no grupo do Paranatinga News no WhatsApp e receba noticias em tempo real. CLIQUE AQUI

Publicidade Áudio

Enquete

Na sua opinião qual investimento é mais urgente para Paranatinga

CONCLUIR HOSPITAL MUNICIPAL

ASFALTAR BAIRROS

MELHORAR ILUMINAÇÃO

SINALIZAÇÃO DE TRANSITO E RUAS

Anuncios

CURTA NOSSA FAN PAGE

Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.